sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

dedos entrelaçados caminhos abertos
não espero nada em troca não espero sociabilidades eu quero uma palavra lava um fogo líquido do inferno e nem sinal de paraíso nenhum arrependimento riso sem sorriso uma incógnita parabólica dos cheiros e texturas dos rios e das matas que me golpeiam por entremeios enquanto minhas mãos dançam no vento continuo sem ritmo há uma música não industrial se fazendo em mim que talvez nem mesmo seja há um fluxo perceptível e outros não, não me cobro não me cobre me cobra veneno no copo viro três quatro quero outro caminho não posso surge um completamente outro ser vivo que carrega minha carcaça na caçamba coco frevo maracatu samba eu não danço a tradição eu transo com ela uma escavação até o céu eu vou passar ilesa pelos teus ralos teus poros tuas lanternas não me iluminam nos cemitérios na beira da estrada passo meus dedos pela paisagem gozo uma nuvem o tempo é duro eu sou mole manhosa e não quero ninguém toda coberta em lama do mangue eu deito em seus lençóis e sonho terriveis sonhos maravilhosos até que todos esses pensamentos virem outros

2 comentários:

Luiza Duarte disse...

É aro a promessa aos cavalos que rebocam relevos coesos, dados e realizáveis. Muito bonito teu fluxo!

beto,,, disse...

nossa, que bonito!