terça-feira, 16 de novembro de 2010

quando no dia em que nos conhecemos olhou por mim e disse
que era melhor que tivéssemos trepado antes de ter apertado as mãos e trocado nomes
e aí eu falei que me cansava muito fácil das pessoas e nunca amaria ninguém, só pra te impressionar
foi quando tudo começou a dar erradamente certo
e no outro dia quando te vi agachado no banheiro com as calças no tornozelo procurando papel higiênico embaixo da pia e o cigarro já metade cinza em cima da descarga e seus resmungos barbados
me vi casado com você e tive uma tontura que quase me derrubou
antes fosse a primeira vez que pensava em desistir de tudo
um fato novo é que agora tudo era muito mais tudo.
porque tudo errado era extremamente excitante, inclusive o fato de pensar ser tudo muito certo
aí comecei a usar a palavra amor. erro fatal.
não dava pra nos enquadrar nesse conceito medieval
e querer isso foi o que nos matou
ia falar da primeira vez que te achei bonito, mas acho que confundo com a última
é o que me resta desse nosso coma erótico alcoólico
um quisto amor que nunca seria fecundo
e apodrece agora dentro de uma camisinha
no lixo do seu banheiro
queríamos desconstruir e mudar tudo que pudéssemos
começamos por nós mesmos
e aí, deu no que deu
gozei dias inteiros e matei milhões
ai, inexplicabilidades do corpo. ai, alma.

3 comentários:

beto,,, disse...

lembrei de "A culpa é toda sua e nunca foi..."

chora rita disse...

ai, que lindo.

beto,,, disse...

é muito bom esse. muito muito muito muito bom.